terça-feira, 5 de julho de 2011

Contos de Fadas

Os contos de fadas são uma variação do conto popular ou fábula. Partilham com estes o fato de serem uma narrativa curta, transmitida oralmente, e onde o herói ou heroína tem de enfrentar grandes obstáculos antes de triunfar contra o mal. Caracteristicamente envolvem algum tipo de magia, metamorfose ou encantamento, e apesar do nome, animais falantes são muito mais comuns neles do que as fadas propriamente ditas. Alguns exemplos: "Rapunzel", "Branca de Neve e os Sete Anões" e "A Bela e a Fera".

Características dos contos de fadas

  • Podem contar ou não com a presença de fadas, mas fazem uso de magia e encantamentos;
  • Seu núcleo problemático é existencial (o herói ou a heroína buscam a realização pessoal);
  • Os obstáculos ou provas constituem-se num verdadeiro ritual de iniciação para o herói ou heroína;

[editar] Morfologia dos contos de fadas

Em seu famoso estudo sobre o conto maravilhoso (no qual inclui os contos de fadas), V.I. Propp afirma que ele "atribui freqüentemente ações iguais a personagens diferentes".[3] Estas ações (mais adiante denominadas "funções") nos permitiriam estudar os personagens dos contos a partir das mesmas. Tendo isto em vista, Propp elabora quatro teses principais:
  1. "Os elementos constantes, permanentes, do conto maravilhoso são as funções dos personagens, independentemente da maneira pela qual eles as executam. Essas funções formam as partes constituintes básicas do conto."
  2. "O número de funções dos contos de magia conhecidos é limitado."
  3. "A seqüência das funções é sempre idêntica."
  4. "Todos os contos de magia são monotípicos quanto à construção."
Contudo, as teses de Propp foram objeto de críticas, particularmente por parte do antropólogo Claude Lévi-Strauss. No ensaio "A estrutura e a forma" (publicado nesta mesma edição da obra de Propp), ele observa:
Vimos que o conto de fadas é uma narrativa explicitando funções, cujo número é limitado e cuja ordem de sucessão é constante. A diferença formal entre vários contos resulta da escolha, operada individualmente, entre as trinta e uma funções disponíveis e da eventual repetição de certas funções. Mas nada impede a realização de contos com a presença de fadas, sem que a narrativa obedeça à norma precedente; é o caso dos contos fabricados, dos quais podemos encontrar exemplos em Andersen, Brentano e Goethe. Inversamente, a norma pode ser respeitada apesar da ausência de fadas. O termo 'conto de fadas' é, pois, duplamente impróprio.                             • Problemática existencial: morte, vida, amor, envelhecimento, separação, sexualidade, dilemas edipianos, rivalidades fraternas, etc.

• Início feito para partir do aqui e do agora, mostrando que a história se passa longe do mundo real: “Era um vez...” “Há muitos e muitos anos...”

• Final feliz, pois após tanto sofrimento a criança precisa de alívio: “E viveram felizes para sempre...”

• Obstáculos a vencer: são uma forma de crescimento interior.

• Elementos de encantamento e dicotomia: bem versus mal.

• Narrativa: complexa, com a presença de muitos diálogos.

• Presença de um narrador: figura que detém todo o conhecimento e que é “dono da vida” dos personagens.

• Vocabulário rico.

• Acontecimentos: encadeiam-se não por laços lógicos, mas por laços afetivos.

• Presença de castelos (resquícios medievais) e bosques (onde o encantamento acontece).

• Presença marcante da natureza.

• Abordagens de relações: pai, mãe, madrasta, madrinha (conceito social de apadrinhamento). 


Os contos de fadas apresentam a divisão de personagens entre bons ou maus, trabalhadores e preguiçosos, feios ou bonitos. Na vida real as pessoas podem ser boas e más ao mesmo tempo. A mente das crianças, porém, funciona muito bem classificando as coisas em dois pólos. Por isso os contos de fada são mais acessíveis para que o pensamento delas faça seus juízos de valor e as ajude a “encontrar” uma personalidade, já que terá que escolher entre os personagens aqueles com os quais mais gostaria de parecer, e torcer por ele. As crianças tampouco se importam em discernir entre certo e errado. Elas se identificam prontamente com o personagem que acham mais direto e simpático, que a atinge. Se o personagem é uma pessoa boa, ela também quererá ser boa. Existem as histórias amorais, como aquela de João que rouba o tesouro do gigante. Nelas, não está em jogo a promoção de valores do bem ou do mal, ou ética. Só a premissa de que o personagem precisava alcançar o sucesso. Aí entra em jogo uma questão do problema existencial: a vitória e a derrota como dificuldades que a vida certamente apresentará. Porque ser bom e certinho, mas insignificante? Nesse caso ela pode até concluir que existem saídas (roubar o tesouro do gigante) para os problemas que a vida apresentar. Ou que ela, mesmo sendo muita pequena em relação ao gigante, pode vencê-lo. De qualquer maneira, esses contos possuem uma linguagem simbólica eficaz na imaginação e principalmente na formação da personalidade das crianças



               

Nenhum comentário:

Postar um comentário